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 Mercado acadêmico de dança em alta

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Fabiana Amaral
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MensagemAssunto: Mercado acadêmico de dança em alta   Qui Jun 26, 2008 9:39 pm

Não faz muito tempo, se alguém dissesse que gostaria de fazer uma faculdade de Dança, certamente receberia inúmeros olhares de reprovação de parentes e amigos. Os tempos são outros e o mercado acadêmico na área de dança também. Às vésperas do I Encontro de Pesquisadores em Dança, que será organizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) nos dias 3 e 4 de julho (...), o idança preparou uma reportagem sobre como anda o mercado para quem deseja ingressar na vida acadêmica. O evento, que já tem mais de 170 inscritos, reunirá pela primeira vez pesquisadores de todo o Brasil.

A busca por mais qualificação profissional é o principal fator que tem levado bailarinos, coreógrafos e professores de dança aos bancos das universidades. Na Universidade Federal da Bahia (UFBA) - a primeira a oferecer um mestrado exclusivamente em dança no Brasil - entram atualmente 200 alunos na graduação e 15 na pós-graduação. Para a coordenadora do curso de pós-graduação em Dança da UFBA, Fabiana Dultra Britto, esse fenômeno mostra uma mudança na forma de pensar dos profissionais da dança. “Há algum tempo havia uma diferença clara entre a teoria e a prática. Muitos desistiram de ir atrás do pensamento pois diziam que a academia embotava a criatividade, havia uma idéia errada de que artista não podia estudar. É um tabu que vem caindo nos últimos quatro anos. A partir de estudos recentes de como o corpo funciona, todos começaram a perceber que um corpo que tem percepção intelectual realiza melhor”, explica Fabiana.

Ela conta que grande parte dos alunos que procuravam o programa de pós-graduação da UFBA - dividido em especialização em Estudos Contemporâneos de Dança (lato sensu) e Mestrado em Dança (strictu sensu) - era composto por professores, mas que o cenário vem mudando. “Estamos atraindo muitos bailarinos e coreógrafos para o curso de especialização já que é um curso de três módulos com aulas em janeiro, fevereiro e julho. Eles conseguem comparecer sem atrapalhar o trabalho”, comemora.

Outro motivo para o maior interesse no mercado acadêmico de dança nos últimos anos é o aumento no número de concursos para professores pelo Brasil afora. Com isso, valorizam-se as licenciaturas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, existem três faculdades de dança atualmente: Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Universidade de Cruz Alta (Unicruz) e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), todas oferecendo licenciatura. “Há 10 anos não havia nenhum deles. Sou bem otimista com relação ao crescimento. É uma exigência de mercado. São 476 municípios no Estado, se 10% abrir concurso já faltará candidato”, analisa Airton Tomazzoni, professor do curso de graduação da UERGS. “Sem falar que a universidade vem sendo um espaço importante para discussão e amadurecimento de conhecimentos. É um acesso que não existe nas academias de dança. E mesmo os cursos de licenciatura têm muita carga horária teórica pois para ser professor tem que ser artista também”, completa.

O Brasil conta hoje com 18 cursos de graduação - entre licenciaturas e bacharelados -, além de mestrados e doutorados. A região sudeste concentra o maior número deles: são cinco em São Paulo e quatro no Rio de Janeiro. A oferta de cursos cresceu muito nos últimos cinco anos e a demanda acompanhou com a mesma velocidade. O professor e pesquisador Roberto Pereira fez um levantamento contendo todos os cursos em funcionamento no Brasil. São eles: Universidade Federal da Bahia (UFBA/Salvador), Centro Universitário da Cidade (UniverCidade/Rio de Janeiro), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/Rio de Janeiro), Faculdade Angel Vianna (FAV/Rio de Janeiro), Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro), Universidade Federal do Amazonas (UFAM/Manaus), Universidade Federal de Viçosa (UFV/Minas Gerais), Faculdade Paulista de Artes (São Paulo), Pontifícia Universidade Católica (PUC/São Paulo), Universidade Anhembi-Morumbi (São Paulo), Faculdade Tijucussu (FATI/São Caetano), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/São Paulo), Faculdade de Artes do Paraná (FAP/Curitiba), Universidade Luterana do Brasil (ULBRA/Canoas), Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ/Rio Grande do Sul) e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS/Porto Alegre). “É importante haver esse boom de cursos, principalmente de licenciatura, pois precisamos de professores graduados e bem preparados nas escolas”, analisa Roberto.

Além da lista acima, a partir de 2009, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) também contará com a graduação em Dança. Reivindicação antiga da comunidade de dança de Recife, o curso oferecerá 30 vagas já no vestibular 2008. A licenciatura em Dança estará vinculada ao Centro de Artes e Comunicação (CAC) e terá coordenação de Arnaldo José Siqueira Júnior. “É inquestionável a contribuição que uma formação acadêmica pode oferecer à comunidade de dança recifense. Com certeza haverá uma mudança na mentalidade, vinda com o aprofundamento de estudos teóricos. Também existirão ganhos com a institucionalização da formação profissional das pessoas que atuam na área. O curso fomentará a reflexão sobre a prática da dança como linguagem artística, sobre a interface entre dança e educação, sobre nossa história e tradição em dança”, acredita o professor Marcondes Lima, que participou ativamente da implementação do curso junto com o Movimento Dança Recife.

Do bailarino profissional ao pesquisador

Já que o interesse pelo mercado acadêmico de dança é algo relativamente recente, a expectativa criada por quem escolhe entrar nesse mundo ainda segue caminhos muito diferentes entre si. Há desde aqueles que desejam se aprofundar na teoria para poder entender seus pensamentos até a menina que acabou de deixar a academia de dança. O certo é que, como em todos os cursos de graduação, alguns se “encontram”, outros não. “Há quem procure seus pares e entender como fazer um projeto de dança, como pesquisar. Os artistas que não sabem articular seus pensamentos, discutir o que fazem, explicar o pensamento que querem propor, não têm chance no mercado profissional hoje”, afirma Christine Greiner, professora do programa de estudos pós-graduados em comunicação da PUC/SP.

Mais que suprir uma carência na área de dança, o curso de graduação em Comunicação das Artes do Corpo da PUC/SP nasceu para ocupar um vazio na área de Comunicação no que se referia ao corpo. “A comunicação social é voltada exclusivamente à comunicacão verbal e escrita. Queríamos discutir o corpo como mídia primária da cultura. Ao mesmo tempo, tornava-se evidente que não era mais possível falar de comunicação sem arte e de arte sem comunicacão. Daí surgiu a idéia de propor um cruzamento entre o teatro, a dança e a performance”, explica Christinne, co-criadora do curso, que recebe cerca de 70 alunos por ano.

O professor e pesquisador Roberto Pereira é coordenador do curso de graduação da UniverCidade, no Rio de Janeiro, e também convive com públicos bastante variados em suas salas de aula. “Recebemos muito gente de academia. Muitas alunas estranham as aulas de Filosofia num curso de dança, mas depois se acostumam. Ao longo dos três anos consigo perceber uma transformação bacana. Já quem se encantou mesmo pelo mundo acadêmico, ou quem já tem uma história na dança, procura a pós-graduação. Caso da Dani Lima (bailarina e coreógrafa carioca, fundadora da Intrépida Trupe), por exemplo”, observa Roberto.

E o mercado editorial, como fica?

Naturalmente, mais alunos buscando livros sobre teoria da dança faria incrementar o mercado editorial sobre o tema, certo? A realidade não é tão óbvia assim. A demanda por bibliografia específica de dança aumentou sim, mas muitas editoras ainda não vêem o mercado de dança como um nicho que mereça grandes investimentos. Tanto que grande parte das publicações parte das editoras das próprias universidades. Caso da UniverCidade, que possui um dos maiores acervos de títulos publicados em dança no país. A editora é a responsável pela publicação da coleção Lições de Dança, cujos cinco volumes estão esgotados. O sexto volume já está pronto, apenas aguardando ser impresso, e terá textos de Inês Bogéa, Paulo Caldas e Fátima Saadi, entre outros. “Isso é sinal de que algo está acontecendo no mercado, o consumo está aumentando muito”, avalia Roberto Pereira.

Segundo Fabiana Dultra, a Escola de Dança da UFBA também tem um projeto de criar um selo específico para as publicações de dança dentro da editora da universidade. “Quanto mais gente estudando, a demanda aumenta. Mas o mercado editorial ainda não incorporou, não percebeu isso. Eles nos olham com desconfiança, eles não entenderam que o mercado de dança está se afirmando”, acredita.

Enquanto isso, as próprias faculdades vão organizando mostras para que os alunos troquem experiências e divulguem o que está sendo produzido por eles. Há iniciativas por todo o Brasil, como a Semana das Artes do Corpo (PUC-SP), a Unidança (Unicamp), o Painel Performático (UFBA) e o projeto Noites Universitárias, uma parceria entre as universidades cariocas e o Panorama Festival. Em todas elas, o objetivo é o mesmo: abrir espaço para as experiências que nascem dentro das paredes das universidades. Assim como há 10 anos o mercado acadêmico de dança praticamente não existia, quem sabe daqui a mais 10 anos ninguém mais olhe com desconfiança para quem escolheu a dança como opção acadêmica.

Matéria escrita por Isabella Motta para o site Idança.net em 26/06/08.
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